quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Jogador mais completo contra Oitava Maravilha

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Germano e Matateu animavam os dérbis e ficaram na história do futebol português
"Amanhã o Matateu vai marcar 2 ou 3 golos", diz um adepto do Belenenses. "Vai, se conseguir passar alguma vez pelo Germano", responde o do Atlético. O diálogo, fictício, pode muito bem ter acontecido na década de 50 do século passado quando os dois jogadores estavam entre as maiores figuras do desporto nacional e protagonizavam grandes duelos nos dérbis da zona ocidental da capital.

Germano e Matateu são as duas maiores figuras dos rivais lisboetas - ainda hoje dão nome às escolas de formação dos seus clubes - e do futebol português.

O defesa era considerado na altura como o mais completo jogador do futebol português. Intransponível no jogo aéreo, era ainda um mestre na antecipação e na colocação dos passes. Chegou a internacional ainda no Atlético, clube no qual se formou, e o seu sonho era o de ser campeão com a camisola dos de Alcântara. Depois de 10 anos a titular, transferiu-se para o Benfica, com o qual conseguiu ganhar os títulos que lhe fugiam no clube do coração. No Mundial 1966 foi o capitão dos Magriços.

A "Oitava Maravilha", assim se referiu a imprensa inglesa a Matateu, depois de o avançado ter marcado um golo na primeira vitória portuguesa (3-1, em 1955) sobre a seleção britânica. Na década de 50 Matateu nunca terminou a 1ª Divisão com menos de 20 golos. Números conseguidos graças à rapidez de execução e aos movimentos estonteantes que ludibriavam as marcações dos defesas, e a potência e direção de remate que tornaram-no no pesadelo dos guarda-redes. Após 13 épocas pelos azuis foi dispensado, aos 37 anos. Revoltado, assinou pelo Atlético, e depois de conduzir os de Alcântara no regresso à 1ª Divisão jogou o dérbi com a outra camisola. Marcou o golo da vitória.

Médio Silas foi o último internacional
Matateu não foi o único jogador a representar os dois rivais lisboetas, Na década de 70 foram vários os craques a vestirem as camisolas dos dois clubes, casos do avançado internacional Norton de Matos, e dos médios Vazques e Esmoriz. Outros dois, o extremo Baltasar e o médio Nogueira, alinharam no Atlético, no Belenenses e foram campeões nacioanais pelo Sporting. O último jogador saído das escolas do emblema de Alcântara a chegar à Seleção Nacional foi o médio Silas, embora o tenha conseguido muito depois de sair da Tapadinha e já como jogador do Belenenses. Nos atuais plantéis também há casos de jogadores que já vestiram as duas camisolas. O guarda-redes Botelho está no Atlético depois de ter começado no Restelo e no grupo de Belém está Rui Varela, avançado que jogou primeiro, nas divisões secundárias, pelo rival.
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