quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Nuno Valentim: «Um Homem nasce, vive e morre Belenenses»

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Passo a colocar aqui a publicação do amigo Nuno Valentim, na rede social "Facebook", ao qual achei importante realçar, com a sua devida autorização, ao qual agradeço.

«Sinto necessidade de escrever. Sinto necessidade de fazer um alerta. Sinto necessidade de dizer que o Belenenses precisa de todos nós. Estamos na nossa pior fase da história e pelo 3º ano consecutivo estamos na 2ª Liga. O meu avó se estivesse entre nós teria vergonha por estarmos onde estamos. Ele que viu o Belenenses ser campeão, que viu uma romaria para apoiar o Belenenses, que viu as Salésias cheias para apoiar um clube diferente, azul de cor, atitude brilhante, sempre a lutar por fazer a diferença.

Hoje em dia não compreendemos o que é o prazer pelo Belenenses. Talvez porque não nos conseguimos libertar da nossa ambição pessoal de sermos conhecidos, ou lutar por chegar a um futuro cargo. Nunca desfrutamos o prazer que há em ver o Belenenses jogar. Por vezes até aparecemos um jogo (daqueles decisivos) só para inglês ver. Há muito que no Belenenses se preferem “doutores” em vez dos próprios sócios que sempre lutaram por manter os valores dos próprios fundadores sempre à frente de um ou outro desígnio. O meu avó acreditava, como muitos outros sócios, que o Belenenses nunca seria uma passagem, mas sim uma forma de vida.

De manhã ver os iniciados e juniores, à tarde ver um jogo de futebol da equipa principal, pelo meio um almoço com os amigos e família, discutindo o Belenenses. O dia era de festa, de diversão, de muitas boas histórias. As Salésias marcavam o clube, ambicioso e sem nada a temer.

Hoje é diferente. O dia de jogo não é mais que um “marcar ponto”, como nos trabalhos. É um ir e vir. Mais nada. Só isso. Cumprir a nossa tarefa como sócios. O clube mais tarde ou mais cedo não vai aguentar-se. Temos uma massa associativa idosa e o que está a ser feito é uma estagnação completa do clube.

Dizem que sem resultados, não há formas possíveis de cativar sócios. Para mim isso é falta de ambição. Para mim todos os dias devemos fazer iniciativas, tentando cativar os sócios. Fazer a diferença. Pelo menos tentar mudar.

O Belenenses no presente é o reflexo de muitos e muitos anos, sem fazer nada pelos sócios, sem os compreender, sem os cativar e sem explicar as razões porque o clube se afastou deles. Os sócios merecem mais respeito e merecem um clube virado para eles. É triste quando vemos um dirigente ficar contente pelo Belenenses jogar com o Sporting, rebaixando-se com o adversário e pensando na receita. Sem nunca olhar para a história e dizer Este adversário já foi derrotado por nós, numa final da Taça de Portugal. Recordar este Belenenses não é crime nenhum. É salutar. É enaltecer os esforço de muitos. E é recordá-lo para sempre.

Para sempre eu gostarei deste clube, porque nasci na zona do Restelo e é uma segunda casa para mim. Às vezes a primeira. Normalmente para quem nos dirige o Restelo é a sua 4ª casa. Às vezes até é a 5ª ou a 6ª, preferindo-se ir a outros lados, porque as coisas estão a “andar”.

Esse está a “andar” ou as coisas resolvem-se, foram chavões que nortearam o mais puro afastamento dos sócios e das políticas necessárias a um Belenenses mais consciente e saudável. A cura pensávamos nós, estaria com títulos. Eu não acho. Para mim a cura do Belenenses começa com os seus sócios. Com as suas formas de o ver, com os seus ideais e com a sua ambição. Nós podemos mudar o clube, mas para isso temos que mudar muito as mentalidades.

É difícil no país, mudar as pessoas. Mas a nossa massa associativa pode fazer a diferença. Porque foi ela que nunca esqueceu o clube e aqui podemos recordar quando a Câmara mudou o Restelo para Estádio Municipal. É esse movimento de reacções que eu sempre quis. Não quero uma reacção militar, política, de interesse, porque essas deixo para outros clubes. Também não quero mudanças só por dizer que sim. Quero uma reacção intelectual do Belenenses, deixando para trás quezílias, medos, confrontos, ambições.

Devemos olhar para nós e tentar perceber o que podemos contribuir para o clube. Um cântico basta para voltarmos a sentir o orgulho no nosso clube. Esse orgulho ainda está em nós e se não estiver então alguém mais velho que ensine os mais jovens a ser Belenenses. Porque ser Belenenses não é para quem quer é sim para quem pode, como dizia o célebre Raúl Solnado.

Nesta altura é tempo de nos unirmos em torno de um emblema, de um ideal. Não da nossa Lista que venceu ou ficou derrotada, não é tempo de dizer sim a tudo e abanar a cabeça, sempre que se faça algo de bom, só por dizermos que não concordamos. É tempo do clube aperceber-se que nós estamos com ele e vamos ficar para sempre com ele. Não porque ele ganha, mas porque é a nossa forma de viver e de estar no futebol.

O Belenenses tem que ser o reflexo do que foi e do que poderá ainda ser. Eu acredito em uniões e não em divisões. Acredito em ideias e não em pessoas. O meu alerta é no sentido de apelarmos à nossa consciência e de dizermos fiz tudo o que podia para ajudar o clube? Se a resposta for negativa, temos que fazer mais. Se for positiva é continuar a sermos o que éramos. Fortes, dignos de si mesmos sem nunca deixar nada por dizer ou fazer.

Um Homem nasce, vive e morre Belenenses.
Saudações Azuis!»
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