sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Futsal: Formação: Entrevista a Carlos Teixeira

Postado Por: with Sem Comentarios
No âmbito do ciclo de entrevistas da nossa formação, entrevistamos hoje o treinador principal da nossa equipa de Juniores, Carlos Teixeira.

Esta conversa surge quando já estão decorridos 2 meses de trabalho, e com 6 jornadas já decorridas. Esta é mais uma época apenas para formar?
Formação e Competição são os dois ideais pelos quais nos regemos, e queremos continuar a formar mas cada vez mais implementar e consolidar a componente Competição. Esta é a ultima etapa da formação de um jogador de futsal e a partir daqui será só competir, pelo que têm que lá chegar já preparados para isso.

Os adeptos têm estado habituados a equipas fortes neste escalão. Este ano como será?
Continuaremos a ser fortes, a lutar em cada treino, em cada jogo, para evoluirmos quer individualmente, quer colectivamente. Atingidos determinados patamares já não podemos regredir, teremos que ser cada vez mais exigentes com nós próprios.

Sentes evolução de um ano para o outro?
Sem duvida que sim. Cada ano que passa vão se limando arestas, melhorando o que está menos bem, e esta época estamos bem melhor ao nível das condições de trabalho, mais horas de treino, melhor planificação. Todas estas melhorias resultam em atletas melhor preparados. Sinto que estamos cada vez mais perto dos níveis ideais para o sucesso.

Foi notória na época passada a preocupação com o futuro tendo um plantel em que a maioria dos atletas era de 1º ano de escalão Júnior. Este ano estás a colher um pouco do teu trabalho. E eles, estão mais fortes?
Estão sim, não tenho qualquer duvida que sim. Dos 14 que compõem o plantel apenas 2 chegaram esta época; Todos os outros já trabalhavam comigo (uns diariamente, outros de forma assídua), por isso há uma grande identificação entre o Grupo e com os nossos métodos de trabalho.

Sentes que no ano passado poderias ter ido mais longe? Fica-te algum amargo de boca?
Em determinada altura da época, sim. Hoje fazendo um balanço de forma objectiva, acho que acabamos por fazer uma boa época. Chegámos á Taça Nacional, fomos a única equipa a bater o pé ao Campeão Distrital e Nacional e acabamos por ser traídos pela nossa inexperiência. Quem ganhou fê-lo com mérito e competência e foram uns justos Campeões. Só podemos trabalhar para ser mais competentes ainda, e estamos a fazê-lo.

Entretanto vais fabricando atletas seniores, alguns hoje nos seniores do Belenenses. Deve ser gratificante.
Bastante. Sentir que em algum momento da formação, quer como homens, quer como atletas, posso ter tido alguma importância e influência é sem dúvida muito gratificante. Olhas para algumas quadras e vês atletas que foram teus. Reconhece-los, desportivamente? Alguns, outros nem por isso. Mas faz parte. Fica sempre qualquer coisa dos treinadores.

A propósito, dizem os mais antigos aqui na casa, que se há alguém que consegue fazer passar a mística do Belenenses Futsal és tu. Que mística é essa?
Tive o prazer de ser dos primeiros a chegar, o orgulho de capitanear a primeira equipa de futsal do Belenenses e desde cedo percebi a grandeza do clube e o amor que despertava em tanta gente, gente essa que fazia centenas de km para nos ver jogar. Quando assumi a responsabilidade de ser treinador do clube, sempre tentei passar para os atletas o que eu próprio vivi, o orgulho que é vestir esta camisola (e o que ela significa) o respeito pelos adeptos e o respeito por 93 anos de historia.

Por isso se vê que grande parte dos que passaram por ti fica com um amor especial pelo Belenenses mesmo depois de saírem de cá.
Não é só trabalho meu mas de todas as pessoas que fazem parte da secção de futsal. Mas sim, existe uma grande preocupação pelos miúdos, pela sua envolvência com a sua própria sociedade, com a sua família. Acompanhamos muito os problemas que têm, a todos os níveis. Até com as namoradas… É importante que o atleta se sinta feliz, e aqui preocupamo-nos muito com isso. Mas também têm que fazer por merecer.

Como vês a actualidade do Belenenses Futsal, com a equipa Sénior na 2ª Divisão?
Vejo com tristeza. Mas com uma confiança inabalável em que rapidamente estaremos no lugar que nos pertence.

Tu que és dos poucos a teres vivido os dois anteriores ciclos, com um amigo particular Manuel Jorge, e outro com o Alípio Matos, pensas poder resultar este novo ciclo com o João Freitas Pinto?
De facto sou suspeito para dar opinião sobre o Manel e sobre o Alípio, mas o Belenenses sempre teve grande Treinadores na sua Equipa Sénior, e está a manter essa tradição. Eu acredito piamente no João Pinto! É muito metódico, um estudioso, apaixonado pelo jogo, excelente ao nível do treino… tem tudo para dar certo. A propósito do Alípio Matos aproveito para dizer que considero absolutamente baixo e de muito mau gosto o que lhe está a ser feito. Penso que deveria haver mais respeito por quem tanto deu ao Futsal. E ainda tem muito para dar. Penso que se trata de uma espécie de "vendetta" à ousadia que teve em colocar o Belenenses no lugar de outros que estavam mais habituados a esses lugares. É uma pessoa boa e não merece isto.

Voltando á tua equipa: quem vê os jogos com atenção a todos os detalhes nota que nesta equipa não basta ganhar.
É muito importante, mas desde que se jogue Futsal. Aqui neste escalão já não se admite falhas ao nível do passe e recepção, já não se abdica de uma correcta postura defensiva, e de uma forma positiva de abordagem aos jogos, de uma motivação constante, de uma entreajuda permanente. Por isso sou tão exigente.

Por falar em exigir, ouve-se nos teus atletas que o objectivo desta época é ser campeão distrital. Foi algo imposto?
Repito que as únicas coisas aqui que estão impostas é que se joguem futsal, que se respeite o Clube e o Grupo. Ser Campeão é algo que queremos muito, directores, treinadores e jogadores. Todos comungam desse desejo e estamos a trabalhar nesse sentido… Penso que é legítimo. Mas está muito longe de estar imposto.

Fala-se na criação do campeonato nacional de juniores A. Qual a tua opinião sobre isso?
Parece-me difícil. Financeiramente duvido que grande parte dos clubes tenham capacidade para suportar deslocações de 15 em 15 dias, mas desportivamente acho que seria excelente e bem mais competitivo. Essa competitividade seria muito benéfica para os atletas, clubes e selecção.

Já que falas em Selecção, já colocaste uns quantos na Selecção Distrital. Este ano como vai ser? Há candidatos?
Há sim. Tenho 14 candidatos. Se trabalharem como devem, e mantiverem a humildade, os meus jogadores são do melhor que o Distrito tem. Sei que há excelentes jogadores noutras equipas, mas considero que os meus são os melhores.

Nestes anos todos, nunca te fartaste de trabalhar com miúdos?
Não nunca. Apanhar os jogadores sem vícios acumulados, poder "formata-los", partilhar com eles uma fase essencial das suas vidas desportivas e particulares, poder ajudar e deixar uma marca no seu percurso é motivação mais que suficiente.

Os melhores que já ajudaste a fabricar?
O Rafael, o Bruno Pinto e o Fábio Duarte. E estão uns quantos na actual “fornada”.

Os melhores momentos para recordar?
Os que ainda estão para vir!
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